Preciso re-equilibrar todo meu mundo, minha cabeça, meu corpo, em conjunto com todo o resto. Quando algo sai do lugar todo o resto desencaminha. O mais estranho é que tudo andava tão bem, tá bom, faz bastante tempo já, mas eu nasci tão certo e fui me entortando pelos caminhos, mais tortos ainda, mais incertos. E hoje em dia sobreviver no mundo insano não é fácil. Não é fácil pra ninguém. Se não for guiado, ou procurando o equilíbrio, é difícil se manter de pé sem carregar uns arranhões pelo caminho.
E esse tal de amor, serve pra que mesmo?
O rouge virou blush. O pó-de-arroz virou pó-compacto. O brilho virou gloss. O rímel virou máscara incolor. A Lycra virou stretch. Anabela virou plataforma. O corpete virou porta-seios. Que virou sutiã. Que virou silicone. A peruca virou aplique… interlace… megahair… alongamento. A escova virou chapinha. ‘Problemas de moça’ viraram TPM. Confete virou MMs. A crise de nervos virou estresse. A purpurina virou gliter. A tanga virou fio dental. E o fio dental virou anti-séptico bucal. Ninguém mais vê: O à-la-carte porque virou self-service. A tristeza agora é depressão. O espaguete virou miojo pronto. A paquera virou pegação. A gafieira virou dança de salão. O que era praça virou shopping. A areia virou ringue. O LP virou CD. A fita de vídeo é DVD. O CD já é MP3. É um filho onde eram seis. O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail. O namoro agora é virtual. A cantada virou torpedo. E do ‘não’ não se tem medo. O break virou street. O samba, pagode. O carnaval de rua virou Sapucaí. O folclore brasileiro, halloween. O piano agora é teclado, também. O forró de sanfona ficou eletrônico. Fortificante não é mais Biotônico. Polícia e ladrão virou Counter Strike. Fauna e flora a desaparecer. Lobato virou Paulo Coelho. Caetano virou um pentelho. Elis ressuscitou em Maria Rita. Raul e Renato. Cássia e Cazuza. Lennon e Elvis. A AIDS virou gripe. A bala antes encontrada agora é perdida. A violência está maldita. A maconha é calmante. O professor é agora o facilitador. As lições já não importam mais. A guerra superou a paz. E a sociedade ficou incapaz. De tudo. Inclusive de notar essas diferenças.
Você me deu todos os motivos para desistir. Eu te darei todos os motivos para se arrepender.
Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
Entenda bem, a vida, na maioria das vezes, é do contra. Ela não quer te manter satisfeito com as coisas. A gente imagina um momento, e quer que ele se realize, mas a vida é tão breve que corre primeiro e faz exatamente o contrário.
Compromisso é permitir que o outro entre na nossa vida. É sonhar junto sem se sentir ameaçado, marcar um horário sem se sentir controlado, dividir o espaço sem se sentir invadido. Compromisso não é ‘falta’ de liberdade. Compromisso é o ‘exercício’ da liberdade de estar com alguém.
Se você tiver que chorar, chore como as crianças. Você já foi criança um dia, e uma das primeiras coisas que aprendeu em sua vida foi chorar; porque faz parte da vida. Jamais esqueça que você é livre, e que demonstrar emoções não é vergonha.
Quando eu estou chateado, não fico mal humorado, ou melancólico, ou com raiva. Quando estou chateado, só fico quieto.
Quem gosta tem consideração. Respeito. Carinho. Cuidado. Quem gosta quer ver o outro bem. E tranquilo. E dá apoio. Quem gosta não tem medo de se expor, nem receio de parecer bobo.
Sou tímida. Um montão de gente ri quando falo isso, mas sou tí-mi-da. Só quem me conhece a fundo sabe. É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero. Não por maldade, mas por proteção. A gente tem que aprender a se proteger. Das escolhas dos outros. E até mesmo das nossas próprias escolhas.
E é assim que a gente vai vivendo, sabe? Errando pra aprender. Se decepcionando pra se proteger. Se machucando pra crescer. Chorando pra sorrir. A gente cai uma vez, pra aprender a se levantar em outra. No fim, tudo que for bom, verdadeiro, tudo o que realmente nos fizer bem, permanece.
Há duas coisas que você pode conseguir através da dor: deixar ela te destruir ou usá-la para ficar mais forte.
Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
Admito que doeu, que me sufocou. Admito que eu não sabia pra onde correr. Admito que me consumiu, que me corroeu, que me despedaçou. Mas também admito me fez olhar pra frente e entender que tudo nessa vida tem uma razão, e que se você se machuca muito, começa a não doer mais tanto.